Há pouco mais de 24 horas a letra deste samba de Gilberto Gil tornou-se anacrônica. Michael Jackson morreu, depois de exatos 25 anos e meio, a sua segunda morte.
A primeira aconteceu durante a gravação de um comercial para a PEPSI, em 27 de janeiro de 1984.
Naquele dia, o já chamado “Rei do Pop”, que cavalgava marcas históricas de vendas de seu álbum Thriller (1982), sofreu um acidente com fogos de artifício que lhe causaram queimaduras de segundo grau na cabeça.
Foi a partir deste dia que aquele fenomenal menino da Motown e aquele fantástico jovem de penteado molhado e dança insinuante deixaram de existir.
O resto da história todos conhecem.
Três anos depois, na capa do álbum “Bad”, surgia outro Michael Jackson.
Começava então a saga pública e trágica da monstruosidade psicológica que suplantou a genialidade humana de Michael.
O músico havia se tornado uma hipérbole de seu próprio tempo, um zeitgeist elevado a potências absurdas.
Enquanto a música abandonava Jacko lentamente por cada um de seus poros alvos, o mundo tomava conhecimento de até onde podia chegar a rejeição de uma pessoa a sua história, à sua imagem, ao seu corpo e ao mundo em que vivia.
A primeira aconteceu durante a gravação de um comercial para a PEPSI, em 27 de janeiro de 1984.
Naquele dia, o já chamado “Rei do Pop”, que cavalgava marcas históricas de vendas de seu álbum Thriller (1982), sofreu um acidente com fogos de artifício que lhe causaram queimaduras de segundo grau na cabeça.
Foi a partir deste dia que aquele fenomenal menino da Motown e aquele fantástico jovem de penteado molhado e dança insinuante deixaram de existir.
O resto da história todos conhecem.
Três anos depois, na capa do álbum “Bad”, surgia outro Michael Jackson.
Começava então a saga pública e trágica da monstruosidade psicológica que suplantou a genialidade humana de Michael.
O músico havia se tornado uma hipérbole de seu próprio tempo, um zeitgeist elevado a potências absurdas.
Enquanto a música abandonava Jacko lentamente por cada um de seus poros alvos, o mundo tomava conhecimento de até onde podia chegar a rejeição de uma pessoa a sua história, à sua imagem, ao seu corpo e ao mundo em que vivia.
A integridade física de Michael, nesses 25 anos, foi esgarçada aos mais alucinantes limites. Sua fortuna, em que pese a enorme quantidade de caridade que ele realizou, passando pela traição de tirar de um parceiro e amigo o direito a suas próprias – e valiosíssimas – músicas, foi dilapidada ao ponto da falência.
E sua insolência infantil diante da lei e da moral em justamente um dos mais sensíveis pontos legais e morais da sociedade – a pedofilia – dão a mostra de quão imensurável era sua tragédia pessoal.
Junte se a isso – e aqui, os meus leitores psicólogos podem me desmentir ou não – a impossibilidade provável de enxergar-se no espelho.
Michael Jackson, o menino negro, reprimido e abusado pelo pai e depois o gênio dos passos impossíveis de dança de Billie Jean e Beat It, ambos estavam mortos, não existiam mais de fato, eram só fotos e pesadelos. E no lugar deles, havia um rosto bizarro, deformado, medonho.
Michael Jackson, em várias entrevistas, disse que tudo o que queria era ser amado. Não o amor dos fãs, vilipendiado em anos e anos de trabalhos ruins, mas um amor físico que – e isso é uma ilação pessoal minha – não era possível obter com uma pessoa da mesma idade, pelo namoro ou pelo sexo. Jacko tinha uma imagem abominável, mas podia comprar o que quisesse.
Sem poder ter o calor proibido de quaisquer crianças junto a seu corpo, comprou filhos legítimos, aos quais eu acredito que ele amou profundamente nas noites em que pode dormir abraçado com eles.
E sua insolência infantil diante da lei e da moral em justamente um dos mais sensíveis pontos legais e morais da sociedade – a pedofilia – dão a mostra de quão imensurável era sua tragédia pessoal.
Junte se a isso – e aqui, os meus leitores psicólogos podem me desmentir ou não – a impossibilidade provável de enxergar-se no espelho.
Michael Jackson, o menino negro, reprimido e abusado pelo pai e depois o gênio dos passos impossíveis de dança de Billie Jean e Beat It, ambos estavam mortos, não existiam mais de fato, eram só fotos e pesadelos. E no lugar deles, havia um rosto bizarro, deformado, medonho.
Michael Jackson, em várias entrevistas, disse que tudo o que queria era ser amado. Não o amor dos fãs, vilipendiado em anos e anos de trabalhos ruins, mas um amor físico que – e isso é uma ilação pessoal minha – não era possível obter com uma pessoa da mesma idade, pelo namoro ou pelo sexo. Jacko tinha uma imagem abominável, mas podia comprar o que quisesse.
Sem poder ter o calor proibido de quaisquer crianças junto a seu corpo, comprou filhos legítimos, aos quais eu acredito que ele amou profundamente nas noites em que pode dormir abraçado com eles.
E é aqui que o que restava de Jackson se quebra e flui mansamente através de algum dos vasos finos de seu coração apenas cinquentão. Jackson talvez tenha morrido como uma criança, ou como o Peter Pan que imaginava ser, no mundo perfeito e sem espelhos que tentou, infrutiferamente, criar para si.
A notícia de sua morte me entristece, muito.
Não pelo fim de sua música que é eterna e imortal, nem pelo descanso que seu corpo mutilado e revolvido por bisturis pedia há muito; tão pouco pelo fim do arquétipo mor de uma era da história marcada pelo artificialismo, pela rejeição à imperfeição, pela busca de padrões absurdos de imagem e beleza.
Minha tristeza é pensar naquele menino e naquele jovem aprisionados no corpo e na alma enlouquecidos e deteriorados do Michael branco, deformado e desesperado. Foram vinte e cinco anos e tudo o que se podia ver deles – tantas vezes por trás das máscaras, dessas mesmas máscaras hospitalares que, triste ironia, voltaram à moda este ano – era a dor funda de seus olhos.
Estes nunca mudaram, desde sempre.
A notícia de sua morte me entristece, muito.
Não pelo fim de sua música que é eterna e imortal, nem pelo descanso que seu corpo mutilado e revolvido por bisturis pedia há muito; tão pouco pelo fim do arquétipo mor de uma era da história marcada pelo artificialismo, pela rejeição à imperfeição, pela busca de padrões absurdos de imagem e beleza.
Minha tristeza é pensar naquele menino e naquele jovem aprisionados no corpo e na alma enlouquecidos e deteriorados do Michael branco, deformado e desesperado. Foram vinte e cinco anos e tudo o que se podia ver deles – tantas vezes por trás das máscaras, dessas mesmas máscaras hospitalares que, triste ironia, voltaram à moda este ano – era a dor funda de seus olhos.
Estes nunca mudaram, desde sempre.

Michael era uma grande estrela, um grande músico, um homem que se deixou ir à falência, mas mesmo assim não deixou de dar a cara nem deixou de mostrar um sorriso a todos os que o admiraram, foi acusado de muitas coisa que talvez tenha sido tudo mentira, ele gostava muito de crianças e por dormir com elas já diziam que era pedófilo. Michael embora fosse cinqüentão nunca deixou de ter a sua metade infantil, era o que todos deviam fazer nunca deixar que metade da sua infantilidade deixa se de fazer parte de si. Michael embora tenha falecido corporalmente nunca deixará de estar na memória dos que o admiram.
